Radiola FFV #1
Como a cultura do vinil atravessa, preenche e modifica o nosso espaço no dia a dia, entre um laboratório de fotografia analógica e cafés de especialidade.
São várias as reações que observamos quando alguém entra na loja e começa a reparar no toca-discos do balcão, ao lado das térmicas de café, moedores, balanças, junto com uma estufa com bolos e pão de queijo, mineiramente legítimos, da Pão de Queijaria.
Já nos pediram várias e várias vezes por playlists. Sempre perguntam o que está tocando, ou qual foi a música anterior. Com isso rendemos alguma conversa, apresentamos coisas, descobrimos outras. Mais uma vez, a nostalgia fortalecendo e criando as relações que sempre comentamos, seja por aqui, no Instagram, ou tomando um coado contigo no balcão da loja.
A música tem um lance de transformar o ambiente. É tão doido que uma mesma música pode te levar a lugares distintos, te deixar feliz ou puto, reflexivo ou entusiasmado e pra cima. Tem dia que parece festa, tem dia que parece bastidor. Obviamente temos nossos discos preferidos do acervo, e também o momento certo de tocá-los.
Na correria do balcão, já riscamos alguns discos, guardamos outros em capas diferentes, trouxemos discos de casa, presenteamos clientes com discos, e também ganhamos de presente. Tiram fotos quando tem Dj convidado, ficam um tempo a mais, esperando ao menos o lado A terminar.
E o mais legal de tudo isso é que acontece com todas as gerações. Atinge os mais velhos, que se emocionam ao encontrar o vinil do Marku Ribas tocando em uma cafeteria na Santa Cecília, e os mais novos, que se surpreendem, com um tom de novidade, com o mesmo Marku Ribas.
Com a Radiola FFV, falaremos sobre o que mais sintoniza em nosso espaço, o que descobrimos e acreditamos que faz sentido compartilhar. Fica também como um espaço aberto para sugestões. Às vezes, o que te faria muito bem é levar um vinil pra tocar com a gente, trocar uma ideia sobre, ou só escutar enquanto toma um café mesmo.
A Radiola FFV nasce disso, do que a gente ouve enquanto trabalha, conversa, tira café, revela filme, lava xícara, vive.
Um espaço que é laboratório de fotografia analógica, balcão de excelentes cafés e comidas, cercado de boas pessoas com ótimas histórias, merece a experiência de ouvir um álbum inteiro.
Seja como velha novidade, seja como descoberta. Isso traz outro instrumento para a música em si, o instrumento da atenção.
Fotos por Gabriel Carvalho @gabrielc_png e Luciano Klinsman @klnsmn






