A pressa é inimiga do balcão? Acho que não.
Recebemos uma correspondência do @raspeofundo aka Mario Rabelo. Sobre algo que temos em comum, o carinho pelo balcão.
Eu sou um cara do balcão. Gosto dele quando estou com pressa e quero pedir algo rápido da casa, tipo pf de picadinho com coca gelada de boteco. A carne já está pronta, foi feita de manhã, tá lá apurando no molho, as batatas cada vez mais se desmanchando no cozimento eterno de uma terça a tarde, ou então quando vou a um café e peço pão de queijo e coado da casa. Os 2 tbm já estão lá, me esperando.
Mas gosto ainda mais de ir quando tô com tempo tbm, pra observar o serviço, a ordem das coisas. O pedido entra, alguém canta pra alguém, as panelas se mexem, o chiado da chapa ou do café é moído na hora, o pão selado com manteiga de ervas, depois entra o queijo e o presunto, o derretimento, a fatia de brioche dourada sendo virada.
Ás vezes você entra num lugar, todos os assentos estão cheios, mas ele está lá, com aquele banquinho no canto, quase como se estivesse reservado pra você.
Foi em alguns balcões por ai que eu conheci um monte de gente legal, um monte de histórias parecidas com a minha de pessoas que eu nunca mais vi. Já chorei por amor, afoguei as mágoas, liguei bêbado pra pessoa errada, me apaixonei, terminei em balcões espalhados pela cidade.
Ele é o espaço mais coletivo de qualquer estabelecimento e você tem que estar disposto a se apertar entre 2 pessoas, ouvir fofoca dos outros, ver o que pediram ao lado pra pedir igual só por que a cara do prato tá ótima.
O balcão pode te abraçar num sábado a tarde de sol ou pode te preparar pra ir deitar cheio de raiva.



MEUS VIZINHOS!!! amei q vcs estão aqui <3 <3 <3